Quando me vejo pensando na minha infância vem aquela saudade das brincadeiras na rua, da época em que eu teimava em andar descalço, das brincadeiras inocentes que com o tempo passaram a ser nem tão inocentes assim. Saudades daqueles abraços apertados que ganhava da minha mãe, em especial de quando eu tinha 5,6 anos e via a felicidade nos olhos dela ao ver que eu já estava lendo... Já meu pai,sempre foi fechado, mais grosso. Eu morria de inveja quando via nos filmes da TV os pais ensinando os filhos a andar de bicicleta, a jogar futebol e esse tipo de relação pai e filho nunca aconteceu realmente comigo.
De certa forma eu até entendo, pois ele perdeu seu pai ainda criança e desde cedo teve que ajudar a criar seus irmãos mais novos. Mas, aquela cumplicidade de pai e filho agente nunca teve e acho que nunca vamos ter. Às vezes, acho que somos completamente estranhos vivendo na mesma casa. Amparo financeiro nunca faltou mais demonstrações de carinho foram raras. Enquanto de um lado faltava de mais o outro compensava. Minha mãe sempre foi carinhosa comigo, às vezes até arrancando um pouco de ciúmes por parte dos meus irmãos mais velhos. Por mais incondicional que o amor de mãe possa ser, a presença do pai é sempre importante. Queria tanto ouvir um "Parabéns Filho!" quando ganhei o primeiro lugar nas Olimpíadas de Matemática na 8ª série mas isso se quer aconteceu.
Sinto que hoje ele já procura um contato maior comigo, mais a frieza agora vem da minha parte. Não que eu faça de propósito, o problema é que foi silencio demais no passado, e no presente, não dá pra reatar uma aproximação que nunca existiu.
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