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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Palavras que nunca foram ditas, abraços que nunca foram dados.

Quando me vejo pensando na minha infância vem aquela saudade das brincadeiras na rua, da época em que eu teimava em andar descalço, das brincadeiras inocentes que com o tempo passaram a ser nem tão inocentes assim. Saudades daqueles abraços apertados que ganhava da minha mãe, em especial de quando eu tinha 5,6 anos e via a felicidade nos olhos dela ao ver que eu já estava lendo... Já meu pai,sempre foi fechado, mais grosso. Eu morria de inveja quando via nos filmes da TV os pais ensinando os filhos a andar de bicicleta, a jogar futebol e esse tipo de relação pai e filho nunca aconteceu realmente comigo.
De certa forma eu até entendo, pois ele perdeu seu pai ainda criança e desde cedo teve que ajudar a criar seus irmãos mais novos. Mas, aquela cumplicidade de pai e filho agente nunca teve e acho que nunca vamos ter. Às vezes, acho que somos completamente estranhos vivendo na mesma casa. Amparo financeiro nunca faltou mais demonstrações de carinho foram raras. Enquanto de um lado faltava de mais o outro compensava. Minha mãe sempre foi carinhosa comigo, às vezes até arrancando um pouco de ciúmes por parte dos meus irmãos mais velhos. Por mais incondicional que o amor de mãe possa ser, a presença do pai é sempre importante. Queria tanto ouvir um "Parabéns Filho!" quando ganhei o primeiro lugar nas Olimpíadas de Matemática na 8ª série mas isso se quer aconteceu.
Sinto que hoje ele já procura um contato maior comigo, mais a frieza agora vem da minha parte. Não que eu faça de propósito, o problema é que foi silencio demais no passado, e no presente, não dá pra reatar uma aproximação que nunca existiu.

domingo, 3 de julho de 2011

Gostinho de Infância



Isso, isso, isso, isso!

Você não vai com a minha Cara?

_ Professor Girafales!
_ Dona Florinda!
_ Que milagre o senhor por aqui...

Foi sem querer querendo!

Se você é sul americano com certeza já ouviu esses jargões. Chaves, um garoto pobre, órfão e que vive em uma vila juntamente com várias figuras pitorescas (Chiquinha, Seu madruga, Dona Florinda, Quico, A bruxa do 71...). O seriado mexicano que teve estréia no Brasil no ano de 1884 (e eu nem sonhava em nascer), no SBT caiu rapidamente no gosto do público brasileiro. Com uma linguagem que nada conota a apelos sexuais, chaves com certeza foi o ponto de referência da infância de muita gente e inclusive a minha.
Desde que me lembro, aqui em casa, a hora do Chaves sempre foi sagrada. Acompanhado dos meus irmão mais velhos dávamos incontáveis risadas vendo as trapalhadas e confusões protagonizadas pela turma e, por muitas vezes os episódios eram reprisados constantemente, porém, nunca perdia e até hoje não perde sua graça. Não saem da minha memória os graciosos encontros do professor Girafales e da Dona Florinda, onde eram marcados pela música tema do filme E o Vento Levou (o qual só vi a conhecer a pouco tempo), a velha desculpa do chaves, quando aprontava alguma coisa, o choro da Chiquinha, e sempre torcendo para aquele menino de rosto marcado por rugas encontrasse sua família.
E uma das coisas mais legais, é que mesmo o seriado sendo oriundo do México que é marcado pelo exagero dos atores na hora de representar, não vemos isso no seriado do Chaves.
Confesso que hoje, devido as demais ocupações, já que a infância, época 
 de garoto desocupado já passou, não tenho muito tempo pra ver TV e muito menos assistir chaves. Mais sempre que dá, me jogo no sofá e as 18:30, lá estou eu resgatando a grande parte da minha infância.